O Templo da Espera
- 28 de abr.
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É preciso uma força descomunal para fechar uma porta, mas existe uma bravura silenciosa, quase invisível, em permanecer sentado diante de uma porta que ainda não se abriu.
O Altar da Partida e o Templo da Espera
Dizem que a coragem é um movimento de ruptura. É o herói que quebra as correntes, o navegante que solta as amarras, a ave que abandona o ninho antes mesmo de saber se o vento a sustentará. E, de fato, abandonar exige um tipo sagrado de fúria. É preciso coragem para admitir que um lugar não nos cabe mais, que um amor se tornou um eco ou que um sonho virou cinza. Deixar para trás é amputar uma parte de nós para que o resto do corpo possa sobreviver. É um ato de fé no vazio.
No entanto, o mundo apressado esquece-se de outra coragem, mais densa e profunda: a coragem de esperar.
Se partir é um salto, esperar é um mergulho. Esperar não é inércia, não é preguiça e não é covardia. É a manutenção da chama sob a chuva torrencial. É ter a bravura de não aceitar qualquer coisa apenas para aplacar a ansiedade do silêncio.
• A coragem de ir limpa o caminho.
• A coragem de esperar permite que o fruto amadureça.
Há uma dignidade feroz em quem sabe aguardar o tempo das coisas. É o agricultor que confia na terra escura; é o coração que, após a partida, não corre para o próximo destino, mas senta-se com a própria solidão até que ela se transforme em paz.
Muitas vezes, a maior prova de coragem não é dar o próximo passo, mas ter a força de manter o pé firme onde se está, vigiando a própria esperança, enquanto o mundo grita para que tu te apresses. Porque, no final, tanto quem vai quanto quem espera estão à procura da mesma coisa: a verdade do próprio destino.



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